Propósito: passo evolutivo natural das organizações

por Bruno Boesche *

É comum encontrarmos pessoas que criticam o sistema econômico em que vivemos. Eu mesmo já estive entre elas. No entanto, aprendi que, apesar dos óbvios e gritantes resultados catastróficos que o capitalismo permite, é por meio dele, e não do zero, que chegaremos a novos modelos mais justos e admiráveis.

Há mudanças acontecendo nesse sentido, e um dos seus expoentes é o movimento dos indivíduos – e portanto das organizações – em direção ao chamado da vida para a própria vocação e às necessidades do mundo, o que temos chamado de Propósito.

Não há dúvidas que o capitalismo é um sistema com resultados ruins para a humanidade e o planeta. Entre tantos outros problemas, cito o que é para mim o mais obsceno deles: a distribuição imoral dos recursos.

Mas é um engano pensar que o problema é o sistema em si. Ele não nos diz para desrespeitar outras formas de vida, ignorar o sofrimento alheio ou corromper nossos valores pelo lucro. Mas, muitas vezes, fazemos essas escolhas. Em sentido oposto, no entanto, é na liberdade que o capitalismo nos dá que encontramos espaços para desenvolver nossas organizações a favor de um mercado mais próspero e mais justo.

O primeiro passo dessa trilha é admitir que as empresas, o modelo econômico ou qualquer outra forma de organização são imperfeitos, como nós, que os criamos. Assim permitimos que nossos modelos evoluam conosco, respondendo aos desafios de cada tempo: os problemas que solucionamos ou criamos, os códigos morais que questionamos, a noção de felicidade e tudo o mais. Temos muitos sintomas de que o mundo não suporta por mais muito tempo os modelos que olham somente para o próprio umbigo, despertando uma seleção evolutiva que andava um tanto sonolenta.

A busca pelo propósito de vida é um movimento bem antigo, presente há muitos milhares de anos nos corações humanos e há pelo menos meio século nas organizações econômicas. O que é notável é a crescente importância que este chamado tem adquirido nas empresas. Quando guiadas pelo seu propósito, e sem esperar regulamentações ou limites impostos, elas encontram no cenário do capitalismo a liberdade para fazer a diferença que sonham para o mundo, colocando em prática seus valores, prosperando e ainda obtendo lucro.

O propósito é consciência da própria razão de existir, e será inevitavelmente próspero enquanto os líderes mantiverem os olhos bem abertos para o que o mundo nos pede e oferece. Podemos viver para “organizar e disponibilizar a informação produzida pela humanidade”, como faz o Google, “ensinar as pessoas que o que elas colocam dentro de seus corpos faz a diferença”, como a Whole Foods, ou seja lá pelo quê cada coração vibra. Com seu jeito único, autênticas, essas empresas passam a pensar, falar, agir e sentir como humanos. Pessoas primeiro, números depois. Crescer significa tornar a vida melhor, e o lucro é uma feliz consequência disso.

Entendendo que um propósito, como o conhecemos, é resultado também da identificação e uso das nossas melhores capacidades e reais valores, é fácil entender porque empresas que se orientam por ele têm prosperado junto ao mundo ao seu redor – e não às suas custas. Sua definição de sucesso soma à saúde financeira a autorrealização e o impacto positivo que causam.

Como acontece nos indivíduos, colocar suas verdadeiras vocações a serviço dos outros torna o que as empresas fazem muito maior do que elas mesmas, um índice com cada vez mais importância na economia que estamos recriando.

Buscar a razão pessoal de existir é, provavelmente, uma seleção natural da espécie: nossa fortuna tem sido baseada na diversificação, na troca, na honestidade, e o contrário disso nos torna pobres e insustentáveis. O propósito nos ajuda a reunir esses elementos e prosperar, como somos destinados a fazer.

Participe da Jornada da Autenticidade e entenda o propósito nas organizações, como elas se beneficiam ao conhecê-lo, encontrando sua autenticidade e sentido para a própria existência.

* Bruno Boesche é um publicitário com vivência suficiente em grandes agências para entender o uso da criatividade a serviço de necessidades. Como sócio fundador da Cohoo direciona sua vocação para encontrar e dar sentido às verdades por trás das organizações. É um dos facilitadores da Jornada da Autenticidade. Conheça o time completo.