O que a maior organização do mundo pode te ensinar?

por Karoline Fendel *

Milhares de colaboradores em cooperação, eficiência energética, ciclo completo dos resíduos, reaproveitamento integral dos materiais, sistemas complexos, produtos diversificados e biodegradáveis. Estes são apenas algumas habilidades desta organização que será aqui nosso modelo de inspiração: a natureza.

 

Depois de 100 anos imersos na revolução industrial, somente agora estamos abrindo nossos olhos e percebendo que o nosso mundo, artificialmente construído, não está isolado do mundo real, mas intimamente ligado ao mundo natural maior. É esse mundo que nos alimenta, abriga e torna possível todas as nossas atividades. Não perceber isso pode ser um mortal não só para os negócios, como para nossa espécie.

A natureza está repleta de processos e modelos que podemos usar para um sistema econômico autossustentável. A observação e o estudo aprofundado destes processos pode nos trazer muitos insights e informações para otimizar a aperfeiçoar as organizações humanas.

É isso que faz a Biomimética, uma nova ciência que estuda os modelos da natureza e depois imita-os ou inspira-se neles ou em seus processos para resolver os problemas humanos. A criadora dessa ciência e pesquisadora Janine Benyus traz em seu livro "Biomimética" diversos exemplos de como a natureza tem sido um modelo de aplicação a processos e na criação de produtos e compartilha um pouco desse estudo nesse TED Talk.

Se fizemos uma viagem no tempo perceberemos que grandes invenções foram baseadas na observação da natureza. A última e mais famosa foi a invenção do avião em 1903. Só que apenas 11 depois, já o utilizávamos para soltar bombas.

Portanto, a ideia hoje não é apenas imitar, e sim instigar e ampliar a perspectiva de como trabalhamos junto com a natureza e não contra ela. Durante milhares de anos os animais, plantas e microrganismos, vem interagindo, se  juntos, o que conhecemos como coevolução. Sentir-se parte é trabalhar junto com a natureza e também estar em coevolução, isto é, observar, aprender e se inter-relacionar.

Talvez não seja a transformação tecnológica biomimética que ira revolucionar nossa futuro, mas uma mudança de sentimentos, uma humildade que nos permite ficar atentos às lições da natureza. Estas lições estão em vários níveis de complexidade, desde a formas das relações entre os colaboradores e fornecedores, uso dos recursos, até a geração e criação do produto. No mundo corporativo algo que se aproxima desta percepção é conhecido como sustentabilidade.

Mas como visualizar os benefícios de incorporar profundamente a sustentabilidade nas organizações?

Um dos mais influentes estratégia empresarial da atualidade, C.K. Prahalad, em artigo escrito para a Harvard Business Review, aborda experiências de 30 grandes empresas nas quais a sustentabilidade tem representado um filão de inovações organizacionais e tecnológicas.

“Ao incorporar o respeito ao meio ambiente no negócio, a empresa reduz os insumos e, portanto, os custos. Além disso, um processo ambientalmente mais responsável gera receitas adicionais a partir de produtos melhores, permitindo criar novos negócios. Empresas inteligentes estão tratando a sustentabilidade como uma nova fronteira da inovação”. C.K. acredita que a sustentabilidade irá definir o cenário competitivo nos próximos anos.

Mas além da vantagem competitiva temos outros ganhos que ampliam nossa visão de sustentabilidade nas empresas, e trazem uma grande oportunidade de inovação. Alguns líderes já perceberam e criaram um Ecossistema Empresarial, uma rede de fornecedores, parceiros e consumidores em um ciclo virtuoso de geração e agregação de valor.

Para dar o passo para esta nova revolução é necessário coragem, pois o sentido de urgência já existe. Quando pensamos em inovação não se trata apenas de criar um produto com uma roupagem biodegradável, mas também em reavaliar crenças, valores e de enfrentar incertezas, incorporando o que é novo.

Nesta perspectiva, a consciência do líder é fundamental. O consultor Ricardo Voltolini propõe o conceito de liderança sustentável, que ele define como o líder que acredita profundamente nos valores da sustentabilidade, que compreende a interdependência entre os sistemas produtivo, social e ambiental, e tem a ousadia para inserir o conceito na estratégia do negócio sob uma ótica de oportunidade.

Além disso, esse líder precisa ter coragem para capitanear mudanças diante de resistências e em cenários complexos e a capacidade de comunicar o valor, persuadir, envolver, educar e construir sinergias.

Por isso acreditamos que a Jornada da Autenticidade é um caminho para despertar líderes autênticos e conscientes que promovam organizações mais empoderadas do seu papel no mundo. A natureza aqui serve como inspiração para a autenticidade e a inovação.


* Karoline Fendel é bióloga especialista em permacultura. Trabalha na Mútua onde facilita processos de descobrimento dos potenciais humanos, aliando o autoconhecimento com projetos pessoais e profissionais e promovendo a coevolução. Conheça o time de facilitadores da Jornada da Autenticidade.