A autenticidade e o futuro da gestão nas organizações

por Henrique Versteeg-Vedana *

Recentemente foi publicado um artigo sobre a empresa Mercur, indústria fabricante de produtos de borracha, localizada no interior do Rio Grande do Sul. O artigo teve grande repercussão pelas ideias “radicais” que a empresa vem adotando desde 2008.

Entretanto, para os protagonistas desse processo (colaboradores e diretores da empresa), essa jornada não é radical, mas sim natural e autêntica. Enquanto muitos outros empresários procuram por soluções fantásticas para a(s) crise(s), eles olham para dentro e conversam muito entre entre si a cada passo.

O que existe por trás dessa história? O autor belga Frederic Laloux escreve em seu livro “Reinventing Organizations” (“Reinventando as Organizações”, em tradução livre - o livro ainda não foi publicado no Brasil) sobre uma evolução das organizações (conceitos, pensamentos, gestão, estruturas) ao longo da história da humanidade, que acompanha a evolução da consciência humana.

É como se nós humanos fôssemos evoluindo e nos preparando para lidar com um mundo mais complexo ao longo dos milhares de anos, e na medida em que começamos a organizar nossas realizações coletivas (i.e., organizações), essas passaram a evoluir da mesma forma, desde as primeiras tribos.

Passamos por (proto) impérios, exércitos, religiões, guildas, corporações, máfias, e chegamos às startups e movimentos auto organizados dos dias atuais. Cada novo modelo organizacional nasce em resposta ao seu ambiente, às necessidades e oportunidades que surgem.

E quais seriam as maiores necessidades de hoje em dia?

Apropriando-se de um acrônimo inicialmente utilizado pelos militares nos anos 90, VICA (ou VUCA no original em inglês) nosso cenário atual é de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Esse contexto exige das organizações uma capacidade ímpar de agir.

Para isso, as organizações contam com o potencial de suas pessoas para que sejam mais criativas, resilientes e inovadoras. No entanto, como diria Gary Hamel, professor da London Business School, como gerenciar essas capacidades que, paradoxalmente, não são gerenciáveis?

Iniciativa, criatividade e paixão. Essas três qualidades estão dentro de nós e dentro de cada pessoa que trabalha conosco. Mas escolhemos, a cada manhã, levar ou não levar isso conosco para o ambiente de trabalho. E a grande maioria das pessoas tem escolhido deixar em casa sua criatividade, paixão e iniciativa.

Talvez a coragem de algumas organizações, ditas “radicais” como a Mercur, é querer criar de forma autêntica e genuína as condições para que todos seus colaboradores possam trazer junto um pouco da sua criatividade, paixão e iniciativa, em prol de algo que os inspire, com significado e propósito.

Dee Hock, fundador e CEO emérito da VISA Internacional, nos deixa essas inspiradoras palavras para pensarmos se não é hora de revermos a forma de gerir nossas organizações:

“Estamos num ponto do tempo em que uma era de quatrocentos anos está morrendo e outra está lutando para nascer – uma mudança de cultura, ciência, sociedade e instituições muito maior do que qualquer outra que o mundo já tenha experimentado. Temos à frente a possibilidade de regeneração da individualidade, da liberdade, da comunidade e da ética como o mundo nunca conheceu, e de uma harmonia com a natureza, com os outros e com a inteligência divina como o mundo jamais sonhou. ”

Quer vivenciar um pouco dessa experiência em novos modelos de de gestão e instigar essa mudança na Jornada da Autenticidade? Então venha caminhar conosco!

* Henrique Versteeg-Vedana é cofundador da Manifesto 55 e facilitador de processos de aprendizagem coletiva e inovação organizacional. Formado pela Kaospilot - renomada escola alternativa de negócios e liderança na Dinamarca - estuda novos modelos organizacionais e vê a sua disseminação como essencial para a sobrevivência humana no planeta. Ele é um dos facilitadores da Jornada da Autenticidade. Veja quem faz parte desse time.