É possível fingir ser autêntico até se tornar autêntico?

Sim, é possível.

por Olavo Pereira Oliveira *

A cientista social Amy Cuddy fez há uns 4 anos um dos TED Talks mais assistidos da história. Mas eu só o conheci hoje e agradeço à amiga Natássia Lisboa pela dica. Extrapolou até os 18 minutos regulamentares e ninguém reclamou. Afinal, foi uma baita narrativa. Assista abaixo com legendas. E pipocas, de preferência.

O que ela diz desafiou minha forma de pensar sobre autenticidade.

Quando penso em autenticidade, facilmente remeto à essência, o que me leva a pensar em um estado interno do ser, de alinhamento com um propósito de vida.

Expressar essa autenticidade, seja com nossa linguagem corporal e verbal presencialmente ou com nossa voz impressa e registrada digitalmente, costuma ser um passo posterior, quase que uma consequência de algo que primeiro descobrimos, lapidamos e depois levamos ao mundo.

Amy, na minha visão, propôs que essa equação seja invertida para se chegar ao mesmo resultado. Lembra aquilo que você aprendeu na escola de que "a ordem dos fatores não altera o produto?"

O que compreendi é que a expressividade não serve apenas para que o outro nos perceba e elabore o seu julgamento a partir do que vê. Mas que, principalmente, serve para fazer com a que a nossa mente elabore sua percepção e seus julgamentos sobre nós mesmos.

Nossas vidas são vividas em completa dualidade. Toda e qualquer pensamento, sentimento e ação, traz dois lados interdependentes e que se influenciam mutuamente: dor e prazer, amor e medo, verdade e mentira, são alguns exemplos. 

Assim como corpo e mente. Portanto, se a mente tem o poder de mudar nosso corpo, o corpo também tém o poder de mudar nossa mente.

Uma das poucas verdades universais é que todos nós convivemos com um sabotador interno, que nos julga de incapazes, de errados, de deslocados. E outra das poucas verdades é que é impossível viver sem essa pessoa. Vide a tal da dualidade.

Só que, a bem da verdade, o que esse sabotador tem no seu arsenal é nada mais que um bocado de mentiras.

No final da palestra, Amy conta uma história pessoal de quando se acidentou gravemente e foi julgada por outras pessoas de incapaz de cursar uma faculdade, a ponto dela mesma, por meio de seu sabotador interno, comprar a ideia de que era incapaz.

No entanto, ela lutou contra essa suposta incapacidade e, com todas as dificuldades, graduou-se, pós-graduou-se e chegou à Harvard, passando por diversos momentos de auto-questionamento. Para enfrentar esses questionamentos, Amy fingiu ser capaz. E de tanto fingir, tornou-se uma das maiores cientistas sociais do planeta.

O campo para todo esse fingimento foram as inúmeras oportunidades que teve em sua carreira acadêmica para se apresentar, contar histórias, compartilhar suas narrativas de forma oral e, logo, expressar o que ela acreditava ter de mais autêntico. Assim como nessa narrativa para o TED, repleta de emoções e das dualidades que ela viveu em sua vida.

Mas então ela é uma farsa? Não, a farsa estava naquilo que os outros disseram para ela depois que se acidentou.

Assim como a farsa na sua organização pode estar naquilo que as pesquisas de mercado tradicionais apontam e que você acredita antes de questionar.

Ou naquilo que a sua concorrência faz e que você acha que deve imitar. Ou naquelas propagandas com slogans e jingles bonitos, mas que no fundo não dizem nada.

Ao fingir, Amy enganou suas mentiras. Para, então, encontrar a sua verdade.

Está na hora de você enganar as mentirar que conta para si próprio. Desafiar o seu sabotador interno para encontrar o caminho da verdade e da prosperidade. Isso vale para você e para sua organização. E pode ser o primeiro passo para uma jornada em busca da autenticidade.

No fundo, você já sabe o que quer. E, sim, vai ser árduo chegar lá. Mas aja como se já tivesse chegado. Crie a linha de chegada logo na partida. E boa jornada!

Eu e mais 13 colegas estamos oferecendo a oportunidade de cocriar contigo essa linha de chegada, a sua autenticidade, em uma jornada de três finais de semana com mentorias entre os encontros. Conheça a Jornada da Autenticidade!

* Olavo Pereira Oliveira é um jornalista e cineasta que cria e cocria narrativas que expressem a autenticidade de pessoas e empresas. Conheça o time de facilitadores.