Por que o papel do seu negócio não é ajudar o social e sim ser social

por Leonardo Mendonça, Tiago Vilas Boas e Karoline Fendel *

Tão clichê como a imagem desse post, o termo "Responsabilidade Socioambiental" em algumas empresas tem se desdobrado em diversas ações, desde projetos terceirizados, apoio a organizações e comunidades, plantio de árvores, etc. Por um lado, encontramos bons projetos e boas intenções e por outro encontramos falta de coerência e de autenticidade.

O World Business Council for Sustainable Development - WBCSD, primeiro organismo internacional puramente empresarial com ações voltadas à sustentabilidade,  definiu Responsabilidade Socioambiental como "o compromisso permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico, melhorando, simultaneamente, a qualidade de vida de seus empregados e de suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo".

Quando nos deparamos com a abrangência dessa definição, percebemos como estamos longe de incorporar este conceito na prática nas empresas e fora dela. Alguns setores de marketing estão tendo que ser bem ardilosos para driblar as pessoas que estão cada vez mais consciente do impacto das empresas no mundo e buscam empresas com propósitos, coerência e responsáveis com o social e o ambiental.

Neste contexto do propósito, cada dia mais a ideia do Empreendedorismo Social cresce e cria forças em diversas partes do mundo. São projetos e empresas que tem como meta e missão de transformar uma realidade socioambiental por meio de um produto ou serviço, onde o lucro é reinvestido na própria empresa.

Este grupo não tem um departamento de Responsabilidade Social. São simplesmente socialmente responsáveis, pois possuem em sua essência o propósito de resolver um problema socioambiental por meio de uma solução criativa.

Algumas empresas geram com seus produtos, serviços e processos problemas sociais e ambientais diariamente e não estão muito empenhadas em mudar isso. No entanto, possuem um Departamento de Responsabilidade Social, com projetos grandes e que ajudam muitas pessoas.

Enquanto nossas empresas não estiverem dispostas em reavaliar seus processos de produção, a gestão dos seus resíduos, e criação de produtos com a perspectiva de incorporar o que de fato é responsabilidade socioambiental, vamos demorar muito para dar um passo como humanidade.

Ajudar o social é legal, mas não funciona se a empresa não perceber que uma ação não anula a outra. O fato de eu plantar mil árvores todo ano não vai evitar que minha empresa pare de poluir as águas com meus produtos. Ajudar a construir uma creche na comunidade não vai evitar que minha empresa gere poluição naquela comunidade.

Precisamos mudar e temos condições para fazê-lo. Temos mentes brilhantes no planeta e tecnologia suficiente para de forma coerente construirmos algo que podemos chamar de responsabilidade com a vida.

Para dar esse passo, precisamos de líderes que tenham essa visão de futuro e coragem para, com autenticidade, proporcionar mudanças que tragam grandes impactos para todos. Na Jornada da Autenticidade vamos trazer o social e o ambiental como uma oportunidade de coevolução. Vamos juntos?

* Leonardo Mendonça, psicólogo, e Tiago Vilas Boas, designer, são co-criadores da Mútua. Ao lado da bióloga Karoline Fendel dedicam-se a impulsionar a transformação de pessoas e organizações por meio da complementação de seus saberes e habilidades. Os três fazem parte do time de facilitadores da Jornada da Autenticidade.