Inovar não é preciso. Mas gera um valor preciso.

por Gui Sarkis *

Amanhece uma manhã fria de inverno em Roma. O mês de fevereiro do ano 1600 será lembrado pela história por um fato lamentável. Giordano Bruno, filósofo cujas ideias de um universo infinito e de relatividade entre os corpos no espaço viriam a se tornar incrivelmente influentes e importantes para a ciência, morreria na fogueira, condenado pela Inquisição Romana por heresia.

Giordano Bruno, como muitos filósofos e cientistas antes e depois dele, via o mundo com os olhos curiosos de um aprendiz. Ele ousava questionar os paradigmas sob os quais vivia. Ao longo da sua vida, acolheu os próprios erros e se transformou mais de uma vez. Giordano Bruno era um inovador.

Pouco mais de 400 anos depois e vivemos a era das viagens espaciais, da impressão 3D, das energias renováveis, da Economia do Conhecimento, da Criatividade, da Colaboração.

Muito além disso, vejo a inovação como um de nossos mais importantes motores econômicos. Todas as atividades econômicas já sofreram, estão em processo de sofrer ou ainda sofrerão, grandes rupturas.

Se na Idade Média, Giordano Bruno morreu na fogueira por acreditar em ideias que questionavam o status quo, os inovadores do século XXI correm outros riscos. Aliás, o maior risco de nossa época é não correr risco nenhum. Não inovar pode custar muito caro para profissionais e organizações. Em um universo em movimento, quem pára fica para trás.

Ao longo dos próximos anos veremos grandes avanços nas áreas de robótica e da ciência médica, por exemplo. Com cada vez mais automação, inclusive em tarefas complexas, além do aumento da expectativa de vida, teremos um novo grande problema:

O que fazer com todo o tempo livre em nossas mãos?

O Fórum Econômico Mundial lançou o relatório “O Futuro do Trabalho”  no qual apresenta tendências de grandes mudanças socioeconômicas. No centro delas estão a tecnologia, a inovação e as competências criativas, entre outras. Observe, por exemplo, o que eles têm a dizer sobre as principais habilidades em 2020:

 

 

 

 

 

A resposta: lidar com nossos problemas!

Ser capaz de lidar com problemas complexos, pensar de forma crítica e criativa serão as mais importantes competências para trabalhar e, em especial, para liderar pessoas em cenários de inovação.

E não é a toa que Inovação está associada à Solução de Problemas Complexos. Algo que jamais se extinguirá na humanidade é nosso repositório de problemas. E quanto mais pessoas, mais interações em nossas organizações e, portanto, mais complexidade.

Todos temos e geramos problemas. Problemas podem ser simples desejos de conforto e consumo, necessidades reais de segurança, saúde, transporte, educação entre muitos outros.

Por sua vez, cada problema traz em si uma oportunidade. Se a habilidade central da inovação é a solução de problemas, sua competência chave é a criatividade.

Mas como funciona o pensamento criativo?

Muitos de nós acreditamos que ele é espontâneo e depende de talento, genética, é “questão de personalidade”.

Não posso discutir que o talento artístico é algo que ainda nos intriga. Mas mesmo um artista não nasce pronto. É preciso dedicar muitas horas de estudo para dominar um violino. Muitos rabiscos e falhas para pintar uma grande obra. Por que não seria o caso de dedicar tempo a aprender a pensar de forma criativa?

É possível criar ambientes que estimulam a criatividade, estimular formas de pensar criativas e gerar ideias novas para dar fundamento a inovações. E são justamente os ambientes, a cultura da organização, os paradigmas e modelos mentais os maiores facilitadores ou bloqueadores da inovação.

Inovação e Estratégia

No mundo corporativo e do empreendedorismo, muito se fala de Estratégia. Mas ainda é comum vivermos em um paradigma da primeira e segunda Revoluções Industriais, onde se consideravam cenários razoavelmente previsíveis para elaborar estratégias de desenvolvimento de negócios. Convenhamos, alguém hoje em dia acha que o mundo está se tornando mais previsível?

Estratégia em um mundo imprevisível não é desenhar cenários e ações quando há algo a ser feito, é ser capaz de influenciar, de gerar condições para que coisas favoráveis aconteçam, até mesmo quando não há nada a ser feito. A melhor estratégia para inovação é uma cultura que acolhe riscos, ideias disruptivas e falhas como oportunidades de aprendizagem. Ambientes que favorecem a experimentação e acolhem a diversidade de pensamento.

Inovar, afinal, é acolher a curiosidade e os universos possíveis, aplicando novas ideias de forma a resolver problemas e gerar valor. Giordano Bruno foi condenado à fogueira por pensar de forma inovadora e entrou para a história. Você não vai correr o risco de ficar à margem da história por não inovar, vai?

Quer aprender a cultivar uma cultura de inovação e liderar em cenários de incerteza? A Jornada da Autenticidade é o programa para você. E pode ficar tranquilo, a gente não curte fogueiras.

* Gui Sarkis é consultor e facilitador na área de Criatividade e Inovação. Essa competência ele traz para o time de Embaixadores da Autenticidade. Acredita em transformar a educação e o mundo do empreendedorismo para deixar pessoas melhores para nosso mundo. Conheça o time de facilitadores da Jornada.